A Bela e a Fera

Bela sempre foi minha princesa predileta. Sua personalidade forte, seu amor pelos livros, pelos estudos e sua autenticidade sempre me agradaram. Ah, e o fato de não estar em busca de um príncipe e muito menos precisar de um para salvar sua vida é o máximo para mim!

O fato é que eu conhecia apenas a versão Disney. Já havia visto por cima outras produções, mas não tinha lido de fato as duas versões mais antigas da história.

A versão mais conhecida atualmente foi publicada no Magasin des Enfants pela escritora francesa Jeanne-Marie Leprince de Beaumont no ano de 1756.

Mas há uma publicação que data de 1740, a primeira versão de A Bela e a Fera escrita pela francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve registrada no livro La Jeune Américaine.

O livro da Zahar apresenta as duas versões, que na verdade são bem próximas com uma ou outra pequena diferença. Enquanto Madame Villeneuve discorre sua história em 174 páginas, o conto de  Madame Beaumont parece mais um resumo para leitores preguiçosos.

Em ambas, a Bela é filha de um rico comerciante que prezava pela boa educação dos filhos. Porém um grande incêndio o fez perder toda a fortuna e o obrigou mudar com os filhos para uma casa no campo. Bela era a única filha que soube lidar com as dificuldades e trabalhava em casa e no campo para ajudar o pai.

Um dia chegou a notícia de um navio havia desembarcado com algumas cargas e o pai de Bela partiu para recuperá-la e tentar conseguir algum dinheiro. Mas chegando lá seus sócios já haviam vendido tudo e triste foi obrigado a voltar para casa com as mãos abanando.

No entanto, uma forte tempestade o pegou no meio do caminho e foi obrigado a buscar abrigo. Encontrou um belo castelo onde tinha comida farta e um belo quarto para passar a noite. No dia seguinte, antes de ir embora resolveu cumprir a promessa de levar uma rosa para Bela, mas uma Fera o assustou e fizeram um trato.

O monstro permitiu que o comerciante levasse a rosa, porém dentro de um curto período deveria retornar para entregar sua vida ou convencer uma de suas filhas a se entregar de bom grado. O pai aceitou a proposta para poder se despedir de todos os seus filhos, mas Bela decidiu se entregar em seu lugar.

A Fera encantada com a atitude da moça a trata como a dona da casa e realiza todos os seus caprichos. Porém, a estada da Bela em ambos os contos sofrem pequenas diferenças. No conto de Madame Villeneuve Bela sonha todas as noites com um belo jovem que tenta conquistá-la, mas ela se mantém fiel à Fera. O final é claro, é como todos conhecem. Porém, Madame Villeneuve inclui após a história mais duas partes. Sim! A história não acaba no final!!! Ela conta a verdadeira história da Fera, como ela se tornou aquele monstro e também a verdadeira descendência de Bela, que justifica a união com o príncipe.

Confesso que fiquei meio confusa com a longa versão da Madame Villeneuve, a narrativa se quebra após o final e a maneira como as novas informações são acrescentadas ao universo faz você pensar por um tempo para conseguir montar o quebra-cabeça novamente.

No geral, eu curti muito o livro. Primeiro porque me apresentou um universo diferente do que eu conhecia, segundo porque traz curiosidades sobre a história de Pedro Gonzáles, um espanhol nascido no ano de 1537 e que sofria da Síndrome do Lobisomem. Aparentemente a história dele pode ter sido a inspiração para a Bela e a Fera.

Recomendo para todos que assim como eu adoram a Bela! =)

Título: A Bela e a Fera

Subtítulo: A versão clássica e surpreendente versão original

Autoras: Madame de Beaumont e Madame Villeneuve

Tradução: André Telles

Apresentação: Rodrigo Lacerda

Ilustrações: Walter Crane e outros

Editora: Zahar

Coleção: Clássicos da Zahar

Ano: 2016

Edição: 1ª Edição Capa Dura

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