#Dia das Mães: Vamos falar sobre parto?

Grande parte das mulheres que optam em ser mães sonham em ter uma boa hora para receber de braços abertos um bebê lindo e saudável.

E posso afirmar que a maioria delas deixam os profissionais da saúde, ginecologistas e obstetras tomarem todas as decisões em relação ao desenvolvimento do bebê e, principalmente sobre o parto. Afinal, nada mais natural não é? Eles estudaram para isso, fizeram quase uma década de faculdade para saber o que é melhor.

Porém, não é bem assim. No Brasil existe uma estatística assustadora [para não dizer bizarra e violenta], que torna este momento tão importante em uma simples linha de produção e, consequentemente impacta para sempre a vida de milhares de mulheres e crianças.

Em março deste ano, o Ministério da Saúde divulgou que no Brasil, no ano de 2015, dos 3 milhões de partos feitos no Brasil no período, 55,5% foram cesáreas e 44,5%, partos normais.

É ASSUSTADOR!

Segundo a Organização Mundial da Saúde apenas 15% dos partos podem necessitar realmente de uma cesárea. APENAS 15%!

Agora, a pergunta que não quer calar: nossa, mas por que fazem tanta cesárea no Brasil?

Simplesmente por praticidade, para grande parte dos médicos é mais confortável, mais rápido e mais lucrativo ($$). Uma cesárea dura menos tempo do que um trabalho de parto natural, além disso faz do médico o protagonista do parto.

Entenda, este texto não é contra a cesariana. Esta cirurgia salva muitas vidas e sim, em alguns casos é muito necessária. O que estou questionando é a banalização do seu uso por conveniência médica e desinformação das mulheres.

O governo brasileiro, no entanto, está tentando implementar novas diretrizes que valorizam o parto normal.

A partir de agora, toda mulher terá direito de definir o seu plano de parto, que trará informações como o local onde será feito, as orientações e os benefícios do parto normal, informou o ministério. Assim, o parto deixa de ser tratado como um conjunto de técnicas e representa momento fundamental entre mãe e filho. – Ministério da Saúde.

Essas medidas visam o respeito no acolhimento e mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem direito.

Por isso decidi compartilhar aqui alguns livros que trazem informações relevantes, que na maioria das vezes são deixadas de lado durante o pré-natal.

O Renascimento do Parto, de Michel Odent

No livro, Michel conta sua experiência ao assumir a direção da maternidade do hospital da pequena cidade de Pithiviers, na França. Conduzido por seu senso de respeito aos processos naturais e grande observação, mostrou ao mundo como é possível uma maternidade prestar um serviço de atendimento ao parto respeitoso e ao mesmo tempo seguro. Respeitoso sob o ponto de vista da parturiente que tem suas necessidades atendidas, sua individualização preservada em detrimento de condutas padronizadas e a liberdade de assumir posições não habituais no momento do parto, e até mesmo a possibilidade de utilização de água durante o trabalho de parto, para alívio das dores.

Também tem o documentário: http://orenascimentodoparto.com.br/

Parto Ativo, de Janet Balaskas

Este livro busca mostrar o parto normal e suas variações comuns, que normalmente não necessitam de intervenção obstétrica especializada. Mulheres que se prepararam nesse sentido e depois acabaram enfrentando uma complicação inesperada ou tiveram necessidade da ajuda de medicamentos para aliviar a dor, frequentemente encontraram uma maneira de combinar o Parto Ativo com os procedimentos obstétricos.

Lobas e Grávidas: Guia Prático De Preparação Para O Parto Da Mulher Selvagem, de Lívia Penna Firme Rodrigues

Bom, o título e subtítulo se referem ao best seller Mulheres que correm com os lobos, e o objetivo é mostrar à capacidade intuitiva de toda mulher para saber como agir em relação à gravidez, ao parto e aos cuidados com o bebê. O livro traz orientação completa para que a gestante tenha uma boa gravidez e um parto natural. Inclui uma série de ilustrações muito claras de exercícios.

No site do GAMA também há uma lista completa de livros, você pode acessar clicando aqui.

O intuito deste post não é convencer ninguém de que o parto natural é o melhor [mesmo que eu acredite que seja], mas abrir uma porta para a discussão e mostrar que é possível se informar e cobrar durante o pré-natal procedimentos menos invasivos e impactantes.

Espero que tenham gostado! Feliz dia das mães!

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