Literatura antiprincesas?

Durante gerações as crianças cresceram com histórias de princesas, príncipes, donzelas e heróis. No entanto, percebo que estamos em um momento de mudança e acredito que você também já tenha notado.

Filmes sendo lançados com protagonistas mulheres, livros que trazem à tona mulheres fortes e independentes, o debate sobre feminismo difundido nos meios de comunicação. Eu me pergunto, isto é mesmo necessário?

Uma voz ecoa em minha mente: CLARO QUE É NECESSÁRIO!

Por décadas e décadas as crianças foram condicionadas a acreditar que os homens deveriam ser fortes, provedores, seguros, másculos… Ao passo que as mulheres deveriam ser meigas, recatadas, delicadas, prendadas e sensíveis.

Estas crenças eram e ainda são passadas através da educação, etiquetas sociais e histórias de contos de fadas e fábulas. Afinal, quem nunca ouviu a história de uma princesa em perigo que entrega seu coração ao herói que salva a sua vida? Muda a princesa, muda o cenário, mas as histórias são sempre as mesmas… A mulher sempre precisa do homem para resolver a sua vida.

Mas será que isso não é prejudicial? Enquanto as mulheres sufocam suas vontades, seus desejos, seus gostos, os homens são obrigados a serem fortes todo o tempo, a sustentarem a família e muitas vezes perdem momentos agradáveis com seus filhos e até perdem a chance de se apaixonar pela pessoa que realmente lhes convém.

Por isso o debate sobre feminismo é tão importante, ele não tira poder nenhum do homem, ao contrário, ele mostra que homem e mulher devem caminhar lado a lado, sendo iguais, sendo humanos.

A literatura antiprincesas é fundamental para essa conscientização. Personagens que mostram mulheres fortes, independentes, mulheres que fizeram a diferença alteram o estereótipo feminino e criam novos valores para as meninas e para os meninos.

Pesquisando livros que fugissem um pouco das histórias estilo Disney encontrei livros infantis muito legais e vou compartilhar aqui com vocês.

A editora Chirimbote lançou em 2015 a Coleção Antiprincesas, que traz histórias de personagens que fizeram a diferença na vida real. Encontrei os três primeiros livros em português, se alguém souber se já existe a coleção completa, por favor deixe nos comentários.

Decidimos nos aventurar e conhecer um pouco sobre grandes mulheres e homens da nossa história. E começamos por uma das muitas mulheres que não se conformaram em fazer o que esperavam delas. Por isto Frida Kahlo é nossa primeira antiprincesa (ou princesa asteca, talvez): uma mulher que mostrou o corpo embora fosse manca, que pintou em uma tela os momentos mais tristes e mais felizes de sua vida, que, apesar de todos os seus sofrimentos físicos, procurou a arte, a alegria e lutou pelo bem do mundo não só para ela, mas também para muitas outras pessoas… Para meninas de 4 a 100 anos!

Violeta Parra é mais conhecida como cantora e compositora, mas também foi artista visual. Através de suas pesquisas sobre a música e folclore do Chile, ela fundou a nova canção chilena. Entrou em contato com a dura realidade do seu país antes de conhecer a Europa, e suas composições influenciaram outros países da América do Sul, inclusive o Brasil.

Clarice Lispector, uma antiescritora popular do brasil, que rompeu as regras literárias e abandonou uma vida de princesa para voltar a sua terra. Escrevia contos, novelas e crônicas enquanto sua filha brincavam ao seu redor, e tinha um cachorro louco que comia cigarros. Escreveu romances, contos, ensaios, crônicas, novelas, livros infantis e artigos para jornais, além de fazer traduções desde muito cedo, sabendo 7 línguas. Seus livros ainda são uma grande influência para autores, tanto pelas frases emblemáticas quanto pelos temas, como a existência, a solidão e o indivíduo.

Estes livros trazem as histórias dessas mulheres de forma divertida, leve, infantil e com ilustrações!

E ainda tem mais…

Carmen Miranda está até hoje entre as maiores representantes da identidade brasileira no exterior. Poucos brasileiros, porém, conhecem sua importância no cenário nacional, bem como sua trajetória. Este livro traz sua biografia com leveza ao público infantil, com músicas da intérprete, cantaroladas por gerações, integradas na narrativa, em diálogo com imagens que trazem a linguagem visual da rica época de J. Carlos, e de outros grandes ilustradores brasileiros.

Em Diferente como Chanel, as crianças podem conhecer a biografia desta estilista francesa transgressora e discreta, que inovou em uma época em que, para estar na moda, as mulheres precisavam de luxo, pompa e espartilhos. Mostra a trajetória de Chanel, da infância pobre no orfanato ao emprego em uma alfaiataria e à abertura de sua primeira loja, financiada por um jovem aristocrata por ela apaixonado. Nas ilustrações, Matthews deu vida a uma personagem quase caricatural, de silhueta esbelta e com o inseparável colar de pérolas com a tesoura pendurada no pescoço. Ao final, o livro oferece cronologia, bibliografia básica, foto da estilista e desenhos do poeta Jean Cocteau e do caricaturista Sem. Um livro cheio de estilo, como Chanel.

No primeiro livro-reportagem destinado ao público infantil, a jornalista Adriana Carranca relata às crianças a história da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada por membros do Talibã aos catorze anos por defender a educação feminina. Na obra, a repórter traz suas percepções sobre o vale do Swat, a história da região e a definição dos termos mais importantes para entender a vida desta menina tão corajosa.

E então? O que achou dos livros antiprincesas?

Tem alguma sugestão de outra obra?

Deixe seu comentário!

Posts Recomendados
Showing 2 comments
  • Andressa
    Responder

    Muito legal, parabéns pelo post.
    Já ouviu falar do Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes? Eu ainda não li, mas segue essa mesma proposta em uma edição que também é linda *-*

    • Bia Oliver
      Bia Oliver
      Responder

      Andressa, ainda não conheço. Obrigada por compartilhar, com certeza vou procurar saber mais! :*

Deixe um Comentário