“O papel de parede amarelo” de Charlotte Perkins Gilman

Por muito tempo fui incapaz de distinguir o que era aquela coisa em segundo plano, aquele subpadrão indistinto, mas agora estou bastante certa de que se trata de uma mulher. Durante o dia ela é discreta, calada. Imagino que seja o padrão que a mantém tão quieta. É intrigante. Faz com eu fique quieta durante horas.”

“O papel de parede amarelo” escrito por Charlotte Perkins Gilman é um conto clássico da literatura feminista publicado em 1892 que por muito tempo foi considerado um conto de terror à la Poe. Nele, acompanhamos uma mulher em depressão que segue rumo à loucura em alguns poucos meses por conta de uma sociedade patriarcal que a restringe e sufoca.

O texto é narrado em primeira pessoa, como uma espécie de diário. Contudo, esse diário é proibido e escrito em segredo quando o marido e empregados da casa não estão por perto de nossa narradora. Mas por quê? Você provavelmente está se perguntando. Isso por que o marido da narradora é médico e quer curá-la da depressão. Para isso, ele a proíbe de escrever, a leva a um lugar isolado em uma casa do campo, onde ela passa grande parte do seu tempo sozinha  e completamente ociosa.

Para piorar, ela queria muito que o quarto deles naquela casa fosse no andar de baixo junto com as rosas. Entretanto, o marido também não permitiu. Eles deveriam ficar no andar de cima, em um quarto com um papel de parede amarelo horroroso e grandes na janelas (afinal, fora um quarto de crianças um dia). Por mais que detestasse aquele quarto, ela concorda, pois afinal ele é médico e sabe o que é melhor para ela. Ele cuida tanto dela! Tanto que ela admite se sentir sufocada.

Nos pontos mais iluminados ela se mantém quieta, e nos pontos mais sombrios segura as grades e as sacode com força. E o tempo todo tenta escapar. Mas não há quem consiga atravessar esse padrão – ele é asfixiante; […]”

Este papel de parede que ela tanto detesta acaba sendo uma das suas poucas distrações, ela passa cada vez mais e mais tempo o observando e enxergando cada vez mais coisas estranhas ali. Sem dúvida, este é um conto aterrorizante. Entretanto, por incrível que pareça, o verdadeiro terror da trama não se trata do papel de parede em si. Este é apenas um fio condutor, mas não é o verdadeiro motivo da loucura. O que a enlouquece é, sim, o patriarquismo.  Não é à toa que esse conto pode ser considerado feminista.

Lendo o posfácio escrito por Elaine R. Hedges descobriremos um pouco mais da autora. Esse conto foi inspirado em situações vividas pela Charlotte P. Gilman que já sofreu depressão e quando foi procurar ajuda médica, este lhe disse que não deveria escrever. Indignada, Charlotte se inspirou para escrever este conto. Parece-me que Charlotte foi uma pessoa admirável, a frente de seu tempo. Vale a pena a leitura, tanto pelo conto incrível, quanto pelo posfácio que traz muita informação relevante sobre a autora e sua obra.

Se quiser mais informações, acesse o canal do Leituras e Comidinhas e confira nossos vídeos!

Autor(a): Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Ano: 2016
Edição: 2ª
Páginas: 110
Acabamento: Brochura

COMIDINHA: O LIVRO TEM SABOR DE… BATATA FRITA!
Posts Recomendados

Deixe um Comentário