Conheça as formas de se educar crianças feministas, por Chimamanda

Desde que soube que a Violetinha estava a caminho coloquei este livro na minha lista de leitura.

O livro surgiu de uma carta que Chimamanda escreveu para sua amiga e traz 15 sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Claro que eu estava super empolgada com o conteúdo e tinha a intenção de seguir todas as sugestões. E para a minha felicidade e satisfação, eu já estava seguindo cada passo do livro.

O que fazer agora? Compartilhar com vocês este conteúdo “maravilindo”!

Agora eu também sou mãe de uma menininha encantadora e percebo como é fácil dar conselhos para os outros criarem seus filhos, sem enfrentar na pele essa realidade tremendamente complexa.
Ainda assim, penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens. – Chimamanda

Mas vamos às principais sugestões:

1 – Seja uma pessoa completa

A maternidade muitas vezes é exaustiva e associada à tradição de se dedicar aos pequenos, muitas vezes a mulher se anula como pessoa. Não faça isso! Se o seu trabalho é importante para você, trabalhe. Se tem algum hobby, reserve algum tempo para ele. Não se sinta culpada.  A criança vai se inspirar e se sentir segura convivendo com uma mãe feliz e completa, não acha?

2 – Façam juntos

A criança não depende apenas da mãe, o pai, o companheiro, a companheira, enfim, é fundamental no processo de criação. A pessoa que está com você pode não conseguir amamentar, mas todo o resto ela consegue fazer – pode ter certeza! E não considere como ajuda não, aliás essa palavra meio que transforma a criação da criança como trabalho exclusivo da mãe, no qual ela precisa de “ajudinhas” esporádicas.

Aqui em casa, desde o primeiro dia o pai da Violeta faz tudo – banho, troca de fraldas, arrumação de berço, lavagem de roupa, almoço, janta –  só não amamenta por questões biológicas. E é assim que deve ser, não é? Está me ajudando? Não! Está apenas sendo pai.

Este exemplo em casa faz com que as crianças entendam que a casa e os filhos não são obrigação apenas da mulher, mas de todos que moram na casa e convivem no mesmo espaço.

3 – Papeis de gênero são absurdos

Acredito que de todas as sugestões, talvez esta seja uma das mais complicadas. Dentro de casa a Violeta é princesa, ninja, astronauta, pilota, bailarina, o que ela quiser. Mas na rua muitas vezes ela vai ouvir “isso é coisa de menino” ou “isso é coisa de menina”.

Ela tem apenas quatro meses e eu já me irrito ao comprar roupas para ela. Sempre que entro na loja busco roupas bonitas, divertidas, engraçadas. E por incrível que pareça sempre acabo do “lado dos meninos” onde encontro balões, ursinhos, gatinhos, padrões geométricos… O lado das meninas geralmente possui 300 tons de rosa e as mais variadas princesas. Já levei muita olhada torta em lojas infantis.

E por que eu não compro rosa? Porque é o que ela mais ganha. Então tento não deixar o armário dela monocromático. A Violeta não vai crescer no #mundorosa, para ela o mundo vai ser colorido.

5 – Ensine o gosto pelos livros

Os livros são fonte de conhecimento e conhecimento causa empoderamento. Os livros ajudam a entender o mundo e traz questionamentos, além disso, ajudam a se expressar melhor. Incentivar o gosto pela leitura desde cedo pode fazer diferença no futuro. Antes mesmo de nascer a Violeta já tinha ganhado diversos livros e já adora!

7 – Casamento não é realização

Não há nada de errado em sonhar com um belo casamento. Mas que tal ensinar que antes de casar a menina deve ser independente e ser o que ela quiser?

Na sociedade em que vivemos as meninas ainda são criadas para casar. O casamento traz status e realização. No entanto, os meninos não são criados para casar, são criados para explorar o mundo, desbravar, ter uma carreira. O que acontece quando essas crianças crescem? Essa menina casa com um menino que não dá o mesmo valor que ela dá ao casamento e o relacionamento fica desnivelado.

Então, concordo com a Chimamanda em eliminar frases “está pronta para casar”, “já está na idade de noivar”, etc. Em vez disso, vamos usar ” já está pronta para ter uma carreira”, ” já está na idade de ser independente”.

8 – Não a ensine ser agradável

Desde sempre as meninas são criadas para sem boazinhas, agradáveis e passivas. Que tal ensinar a ser honesta, sincera e ter sua própria opinião? Que tal apoiar quando a criança tomar uma decisão pouco comum do convencional?

Acredito que a Violeta já tenha uma personalidade um tanto forte para um bebê de quatro meses, agora é trabalhar isso para o futuro e não deixar que ela se perca em convenções.

10 – Atenção com a aparência

É importante que as meninas aprendam que aparência não tem a ver com moral. Uma saia curta é apenas uma saia curta e não pode ser julgada por isso. É importante que ela aprenda que pode se vestir da maneira que gostar, seja com as últimas roupas da moda ou com roupas largas e confortáveis.

Este livro é ou não é maravilhoso?

Vale muito a pena! E mamães e papais de meninos, por favor, leiam também.

Título original: DEAR IJEAWELE OR A FEMINIST MANIFESTO
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Acabamento: Brochura
Lançamento: 07/03/2017
Selo: Companhia das Letras

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