Um certo verão na Sicília

Não tem como começar este post, senão pelas próprias palavras de Marlena…

Um certo verão na Sicília é a história de gente real e de acontecimentos reais, mas é também um conto construído a partir de cenas que me foram descritas – frequentemente em italiano, mais frequentemente em dialeto – com todas as omissões e lacunas que caracterizam esse tipo de relato. Como todos os contadores de história, utilizei alguma licença poética: acontecimentos foram fundidos ou aumentados, nomes foram trocados, períodos encolheram ou aumentaram para se adequarem às necessidades da narrativa. Além disso, para proteger meus protagonistas e seu modo de vida, situei minha narrativa a certa distância geográfica do lugar onde os eventos realmente se desenrolaram.

Este é o segundo livro da Marlena que eu leio – o primeiro foi Antônia e suas filhas – e como aconteceu com o primeiro o livro me ganhou logo nas primeiras páginas.

Marlena tem uma forma única de descrever os lugares por onde passa, principalmente as cozinhas… Ah, até consigo sentir o cheiro da massa do pão fermentando na pedra ao sol.

A aventura de Um certo verão na Sicília começou no verão de 1995. Uma revista acadêmica pediu para que Marlena escrevesse um artigo sobre as regiões do interior da Sicília, afinal ela já havia escrito sobre os vilarejos costeiros (que ela denomina como o brilhante legado grego). Porém, não demorou muito para que ela descobrisse a verdadeira razão da encomenda: todos os outros escritores e jornalistas já haviam recusado o trabalho por uma razão muito simples – o silêncio.

O centro da ilha é um lugar remoto e intransitável, o silêncio colossal da região se reflete em seus habitantes. Eu lhes respondera que o silêncio é o reconhecimento do mistério. E o mistério é bom. As advertências serviram apenas para despertar minha curiosidade.

Quando Marlena chegou com seu marido ao centro da Sicília iniciou os primeiros contatos com professores de história, padeiros, jornalistas, pessoas que poderiam lhe apresentar as verdadeiras histórias do lugar, mas claro que não teve sucesso. Todas os encontros que marcou nos primeiros quize dias foram um desastre. Marlena ficou sozinha e acabou desistindo de fazer o tal artigo.

O casal decidiu curtir as férias e passear por regiões mais receptivas, foi quando recebeu a notícia de que na estrada pela qual iriam passar havia uma senhora que recebia hóspedes.

Bom, caíram na estrada e comeram alguma poeira até encontrar um jardim repleto de rosas e uma fonte onde mulheres vestidas de preto trançavam os cabelos.

Era um cenário feérico, Marlena e Fernando por alguns segundos acharam que estavam alucinando, mas uma mulher os levou para o pátio. E o silêncio do centro da ilha ressurgiu.

As primeiras horas foram de agonia, pois eram completamente ignorados pelos moradores misteriosos. E não foi muito diferente nos primeiros dias.

Marlena, curiosa como sempre, invadia os cômodos, tentava puxar conversa e o máximo que conseguia era um comentário genérico ou risadinhas e cochichos. Seu marido tentava a todo custo pagar pela hospedagem para sair daquele lugar, porém também era ignorado.

Mas com o tempo o casal conquistou a confiança das pessoas e passaram a fazer parte da rotina do palácio.

Uma figura fantástica encantou Marlena na primeira semana. Uma mulher, já madura, com vestimenta de hipismo, um coque no alto da cabeça, um colar de esmeralda no pescoço. Tosca.

Tosca, a dona do palácio. Suas aparições eram quase como visões. Marlena demorou para ter certeza de que era uma mulher real e não uma deusa que tomava conta do lugar.

Pois é, o livro ganha neste momento um novo toque de magia. Descobrimos com Marlena a origem do lugar e todas as histórias que passaram por dentro daquelas paredes nas décadas de 40 e 50.

Conhecemos a família nobre que acolheu Tosca ainda criança, as dificuldades da guerra, a vida dos trabalhores do campo que cultuavam Deméter nas colheitas, a máfia siciliana, e claro, a linda história de amor de Tosca e seus anos em Palermo até a criação da Villa Donnafugata.

É um livro apaixonante, no qual a primeira parte é narrada por Marlena, a segunda parte é narrada por Tosca, a terceira e a quarta parte é uma conversa entre as duas e o epílogo te faz perder o ar.

Como todos os livros da Marlena, Um verão na Sicília te leva para cenários e enredos fabulosos de pessoas reais, que amam, que sofrem, que brigam, e que cozinham maravilhosamente bem!

Leia, encante-se, saboreie!

Sinopse:

A Sicília é a terra da berinjela, dos tomates, do azeite, das flores – e do silêncio. Na difícil missão de fazer uma reportagem sobre a vida no interior da ilha, Marlena de Blasi e seu marido chegaram às portas da misteriosa Villa Donnafugata. Dezenas de mulheres vestidas de preto, com tranças em torno da cabeça, trabalhavam, cantavam, rezavam e brincavam numa ensolarada paisagem de torres, sacadas, hortas, campos e colina.

Parecia uma alucinação, mas era na verdade um refúgio feliz criado pela proprietária, Tosca Brozzi, para viúvas, mães solteiras e homens sem lar. Tosca instala o casal na villa e fascina Marlena com sua arrebatadora história de vida, contada em sessões diárias debaixo de uma magnólia.

O emocionante relato de Tosca recria aromas, sabores e tradições assustadoras da Sicília – terra ainda habitada pelos deuses gregos.

Título original: That Summer in Sicily: A love story
Autora: Marlena de Blasi
Tradução: Paulo Afonso
Editora: Objetiva
Ano: 2009
Páginas: 271

Este livro faz parte do #DesafioLiterário #VamosLerMulheres!

Comidinha: Este livro tem sabor de cannoli!

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